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Mindset - Carol Dweck

Em “Mindset” Carol Dweck discute sobre o poder que as crenças e visões de mundo têm sobre a vida pessoal e profissional. A forma como enxergamos nossas capacidades têm influência direta em nossos resultados e esse estilo de pensar vai nos dar motivos para continuar ou desistir.

O mindset é nosso conjunto de crenças, são ideias que temos sobre sucesso, dinheiro, felicidade, etc. É a partir do mindset que encaramos as diversas situações do dia a dia, e é através dele que tomamos decisões. A definição de mindset seria algo próximo de “configuração mental” – como está organizado nosso mundo e como devemos deliberar. No desenvolvimento do livro, a autora desdobra o conceito de mindset em duas ideias: mindset fixo e mindset de crescimento.

Todos nós somos uma mistura de ambos os mindsets e em cada situação eles vão deflagrar comportamentos diferentes. Diante de um problema podemos desistir ou perseverar, sorrir ou chorar, entender os limites ou maldizer a vida. O mindset fixo crê que as coisas são como são e isso faz da vida algo permanente. Sou inteligente ou sou burro, sou bom de matemática ou não, desenho bem ou sem chance, etc. Os problemas do mindset fixo é que existe pouquíssimo espaço para o aprendizado e para a falha. Isso cria um ambiente hostil que exalta talentos “prontos” e marginaliza iniciantes. O mindset fixo é tão vaidoso que muitos jovens que estudam ou leem por horas afirmam para os outros que nem estudaram, resolvem os problemas com facilidade e escondem o custo real de seus resultados. É um tipo de vaidade que exalta o talento nato e cria uma visão limitada do desenvolvimento pessoal.

Do outro lado está o mindset de crescimento, que não é perfeito, mas encara os problemas e limitações como uma oportunidade para avançar. Se não sou bom em história é porque não estudei o suficiente, sendo assim devo ler mais livros e ver mais documentários para me desenvolver. O mindset de crescimento não encara esse problema como um limite inerente àquela pessoa; ela não nasceu definida a ser ou não boa. Ela deve fazer por merecer, criar estratégias e trabalhar duro.

É muito importante entender que o mindset não é algo permanente e todos nós variamos entre o mindset fixo e mindset de crescimento por toda nossa vida. Ninguém só vê o mundo como uma oportunidade constante de aprendizado, como também ninguém é absolutamente travado e fatalista. Essa visão é importante pois no dia a dia, muitos momentos vão nos levar para cima ou para baixo, e em muitos casos vamos nos sentir mal e limitados. Por isso é necessário desenvolver a autopercepção, é preciso notar nosso humor e nossa tendências. Com essa percepção seremos capazes de levar nossos esforços para o longo prazo e com isso os momentos de desânimo não vão definir toda nossa jornada. Muitas vezes vamos acertar e tantas outras errar, é o conjunto de ações de crescimento que no longo prazo vai nos garantir progresso.

No livro a autora traz muitas estratégias para desenvolver o mindset de crescimento e apresenta também vastas histórias sobre grandes personalidades, como enfrentaram os desafios, como venceram em momentos difíceis e como passaram pelas fases de baixo rendimento e desânimo. Nesse conjunto de estudos de caso, histórias e pesquisas, o livro corre fluído e de leitura fácil.

Top 5 Aprendizados

  1. Ninguém é só mindset de crescimento ou só mindset fixo.
    Ninguém está condenado a pensar e encarar a vida de um único jeito. Dependendo da situação podemos ser positivos ou negativos. Há sempre volatilidade em nossos estilos de mindset.
  2. Mudar é possível. Exige esforço, paciência e tempo, às vezes muito tempo.
    É possível mudar e alcançar grandes resultados, mas isso exige um grande mergulho em nós mesmos. É preciso se lançar ao desafio, se esforçar e acima de tudo, ser paciente. Processos que envolvem mudança de hábitos ou crenças levam muito tempo.
  3. Ninguém nasce pronto; é possível crescer muito através do esforço.
    Não nascemos fadados ao sucesso ou fracasso. Todos nós temos áreas que nos é mais fácil que vai de encontro com algumas aptidões naturais, contudo, é possível através do trabalho duro crescer e prosperar.
  4. Autopercepção é um fator decisivo no longo prazo.
    Mais do que qualquer coisa, é a autopercepção que vai garantir o progresso. Só somos capazes de mudar através do que percebemos. Se não somos capazes de entender nosso bom ou mau humor, nossa vontade de ir além ou de fugir e etc, não vamos conseguir ajustar o necessário para crescer.
  5. É importante entender nossas limitações e saber comemorar as pequenas vitórias.
    Às vezes criamos metas absurdas e chegamos ao final do ano e não atingimos metade delas. Mas se notar, atingiu neste ano, mais do que no ano passado, e isso te levou ao crescimento. É preciso aprender a viver o dia e comemorar as pequenas vitórias. Do contrário podemos virar reclamões e eventualmente desistentes.
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Mindset
Carol Dweck
  • Lembro que enquanto lia esse livro não pude deixar de pensar em Steve Jobs (uma pena que a Carol não o mencione em momento nenhum). Depois de ler a sua biografia é difícil não pensar nele como um exemplo de alguém bastante orientado a uma mentalidade, no geral, mais fixa.

    Digo “no geral” porque é fundamental a distinção, que você tão bem ressalta, de que ninguém está sempre em um tipo de mentalidade (não só no se que se refere a diferentes momentos, mas também a diferentes esferas da vida).

    • Muito bem colocado Henrí. No livro “O Poder dos Quietos” vejo esse tema explorado com mais afinco. A autora mostra como pessoas com personalidades das mais diferentes ocupam cargos de poder (o que mostra uma falha tremenda no discurso das qualidades que alguém deveria ter para ser bem sucedido).

      Tem gente bem sucedida sendo intragável na convivência, tem gente fina bem sucedida, tem gente calada e gente falante. Gosto de autores que desmistificam e não perpetuam uma visão fechada que condiciona a galera a viver em personas ideais.

      *desculpa a demora na resposta, fui revisar as coisas do blog e vi comentários não respondidos 🙁

      • Diz aí Lucas, sem problemas quanto à demora!

        Realmente, O Poder dos Quietos explora bastante essas dinâmicas. Principalmente quando a Susan fala que uma pessoa de fala mais ágil passa a impressão de que sabe o que está falando (o que, como ela diz, pode gerar resultados desastrosos – vide a crise de 2008).

        Outro livro que casa perfeitamente com toda essa discussão a respeito de diferentes estilos de liderança e comunicação é o Dar e Receber, do Adam Grant (por sinal, também gostei muito da sua resenha deste livro).

Lucas Conchetto - 2018