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Meg Jay

A idade decisiva

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Resenha - A idade decisiva

Em “A idade decisiva” Meg Jay nos chama atenção sobre as armadilhas da sabedoria popular em relação aos 20 anos. Muitos jovens acreditam que essa é a fase de curtir, aproveitar a vida ao máximo e que é aos 30 anos que se deve focar na carreira e outras áreas da vida. A autora discute os riscos desse pensamento e a perda no longo prazo que a negligência aos 20 anos causa.

A fase dos 20 aos 30 anos é muito confusa. Perseguimos um ideal de prazer e realização, é senso comum entre os jovens que nessa fase o ideal é curtir a vida ao máximo. A crença é que a vida começa aos 30 anos e até lá o jovem precisa se expandir e aproveitar a boa vida. A autora Meg Jay faz um importante alerta sobre essa filosofia de vida. A fase dos 20 anos é um período de importante transformação, principalmente social e cognitiva. É nela que moldamos nossa personalidade, construímos nossas bases e que após os 30 anos mudaremos muito pouco.

A autora apresenta novos estudos que apontam que boa parte da personalidade é redefinida aos 20 anos, indo contra os estudos anteriores que apontavam que aos 7 anos a criança definia sua personalidade. Esse fato importante coloca luz nessa discussão e mostra a importância de uma vida produtiva dos 20 aos 30 anos. Muitos jovens nessa fase ou estagnam em um emprego sem desafios, ou se fecham em casa e não enfrentam o mundo. Os dois caminhos são perigosos, mas ficar em casa e não agir é sem dúvida o pior deles. Na fase dos 20 aos 30 estamos construindo nosso capital de identidade, a forma como lidamos com as pessoas e com a imprevisibilidade da vida. Por isso o contato com o mundo e as relações sociais é componente fundamental para o amadurecimento. Precisamos enfrentar o medo, as dores da rejeição, os períodos de dificuldade e de estagnação. Nessa transição de um mundo confortável e relativamente organizado que é da infância a adolescência, a vida após os 20 vira de ponta cabeça. Depois dos 20 anos não temos metas claras, não temos que passar de ano, tirar boas notas e se formar no colégio. A forma como definimos valor e temos como referência muda, a vida passa a ser centralizada no social, nas relações.

Toda vida humana é social, mas a partir dos 20 anos é quando efetivamente enfrentamos essa realidade de forma integral. Estamos mais maduros, o colégio acabou, a adolescência terminou e as dinâmicas da vida adulta começam com intensidade.

A autora apresenta estudos que trazem novas ideias sobre essa fase da vida, aos 20 anos temos uma plasticidade cerebral enorme e depois dos 20 ela nunca mais vai se repetir. Continuamos competentes, mas a capacidade de transformação e adaptação nunca mais será a mesma.

O atual mito da juventude “os 30 anos são os novos 20 anos” está totalmente equivocada sobre a luz desses estudos. Aos 30 anos temos uma redução da capacidade de criar novas conexões e alterar estruturas já estabelecidas. A dinâmica da vida e a correria do dia a dia impede o adulto de 30 anos de apostar de forma mais agressiva. Com 30 anos precisamos ser mais cautelosos, existe o financiamento do carro, da casa, o emprego que não pode ser perdido e um mundo de obrigações para equilibrar. É muito difícil inovar depois dos 30 anos, são muitos compromissos e preocupações, e afinal de contas, é um perigo arriscar, pois os 40 anos estão logo ali.

O livro “A idade decisiva” discute importantes tópicos e coloca luz sobre várias das dores dos jovens de 20 a 30 anos. Meg Jay é psicóloga, pesquisadora e atendeu centenas de jovens, suas ideias e relatos revelam muitos problemas, mas também trazem várias soluções.

Top 5 Aprendizados

  1. Não dá pra ficar só refletindo sobre a vida. Para descobrir precisamos fazer algo a respeito.
    Refletir é muito importante, mas sem agir não temos nada real para trabalhar. O medo costuma nos paralisar, com isso não agimos e não crescemos. Se aliarmos reflexão e ação, sem dúvida vamos crescer muito no longo prazo.
  2. A ideia de curtir a vida ao máximo, não dedicando tempo ao futuro e planos sólidos é um grande risco.
    Aos 20 anos poucas pessoas tem noção do que gosta e do que querem fazer. Por isso preferem ir empurrando com a barriga até o tempo estourar. Acredita-se hoje que 20 anos é para curtir e que planos não são essenciais. A vida adulta começa aos 30 anos e antes disso é difícil abrir mão de tantas possibilidades. Esse pensamento é um risco, pois dos 20 aos 30 anos temos uma imensa capacidade de remodelar nossa personalidade e ampliar nossos horizontes. Temos um cérebro com alta plasticidade, contudo, só com estímulo e direção nós conseguimos tirar vantagem disso.
  3. Todas fases tem seus desafios, com o conhecimento podemos fazer mais a cada etapa.
    Em todas fases é possível se ajustar e ter ganhos. Não é igual em todas as fases, por isso o conhecimento é fundamental. Ele nos dá condição de pesar as coisas, fazer planos e agir de forma inteligente.
  4. Ter metas, mesmo que pequenas. Precisamos de uma direção para ser mais saudáveis.
    Uma vida sem direção é apavorante. Você acorda todo dia, vai para faculdade, escola, trabalho e não sabe o que esperar a seguir. Não existe um plano, uma visão de futuro. A vida vai sendo empurrada dia após dia, sem uma meta que una os esforços e motive a ação.
  5. Paciência. Nenhum crescimento vem do dia para a noite.
    Nada é rápido na vida. O bebê leva 2 anos para falar e andar razoavelmente. E são 20 anos para estar adulto e pronto para enfrentar os desafios. Nenhum ser humano nasce pronto, andando, fazendo planos e cálculos. Todo crescimento exige esforço, dor, transformação. E isso acontece no longo prazo. Devemos ser pacientes e se aplicar em cada fase.

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A idade decisiva
Meg Jay
Lucas Conchetto - 2022